Trecho de "São Bernardo", de Graciliano Ramos.
Escrever como lavar roupa não é tarefa nada fácil. O trecho acima me encanta não só por ser belamente bem escrito, mas por comparar um ofício pretensamente douto a outro, tido como simples, pobre. E pegar este segundo como exemplo para o primeiro.
As palavras sempre dizem alguma coisa, e se não fazemos este trabalho de "lavá-las", mostramos mais do que devemos, ou queremos. Aqui, neste blog inútil - e como gosto que ele seja inútil! - as palavras não vêm alvas. Aqui as palavras são suadas, algumas tem gosto de lágrima e chegam cansadas. Tem palavra que acaba ficando pelo caminho, e não passa da barreira do meu pensamento.
Hoje as palavras saem dos meus dedos de maneira meio rebelde. Embora haja muito o que dizer, elas vêm mais para esconder do que para mostrar. E com isso, dão voz ao meu silencio.
| Grafopoema de Erivelton Busto Garcia, em Minilamina |
muito bom Juliana, adorei o texto, ontem mesmo estava nessa tarefa de lavar roupa e como é difícil!! acho que consegui lavar e torcer uma vez, mas a roupa ainda está encharcada, são tantos pingos!! rs
ResponderExcluirsaiba que seu silêncio sem palavras causa saudades e curiosidade... que bom que logo chegam as palavras rebeldes! ;)
Ah, como esse blog inútil me encanta !
ResponderExcluir;)
rssrs
Escrever não é tarefa fácil, não mesmo. Me parece que quando escrevo sai somente aquilo o meu peito quer gritar, equanto a minha boca se cala..
Parabéns pelo texto. Adorei.
Palavras são tiros.
ResponderExcluirFuram o peito,
encharcam a alma,
atravessam o silêncio
igual fio de luz
em corrente contínua
ou desencapado.
Palavras são flechas.
Quando acertam o coração,
tonteiam,
ou de dor,
ou de prazer.
Não se flerta impunemente
com as palavras e seu sentido.
Não se as deixa ao relento,
descuidadas.
Elas merecem carinho e água,
sorrisos e ternura.
Os casebres são tortos e vazios
quando carentes de luz.
As palavras são batatas quentes
se deixadas ao vento.
Palavras incomodam,
palavras seduzem,
palavras mordem.
Palavras são vermes e brilhos,
espinhos e pedras,
canoas e picadas,
árvores e rios,
anéis e continentes.
Palavras são oceanos,
cascos e vida.
Adorei todas estas palavras. Valeu a pena a provocação!
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