quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Edifício

Um espaço minúsculo, quente, mal ventilado, no qual está um homem e uma mulher. Pareciam ter a mesma idade. Não se conheciam. O chão estava um pouco sujo. Havia um espelho grande. Todas as paredes eram cinzas. Ele estava de roupa branca, mas segurava uma camiseta bege dobrada. Ela estava de calça jeans e uma blusa muito quente para o dia.
Não se olhavam. Não viam a si mesmos tampouco. Um rápido olhar havia acontecido, mas nenhum dos dois soube se foi correspondido.
A chave sumia na bolsa dela. No canto superior direito da porta ele via um adesivo com números e datas, e uma assinatura; mais abaixo botões cinzas, como a parede, e o chão, que continuava sujo.

Enfim a porta se abriu. Era a vez dela de sair.  "Vou dar uma passadinha na sua casa daqui a um minutinho. Você viu que eu reguei suas plantas no fim de semana?  Encontrei com a sua filha ontem. Mande um beijinho pra ela. Amanhã é o meu dia de levar as crianças no colégio. Passa em casa depois pra gente tomar um café. Você pode tomar conta do meu gato quando eu viajar no fim de semana". Ela sai.



 Mas há somente um chão, que continua sujo.

3 comentários:

  1. Juliana:
    Fazia tempo q não te visitava.
    Adorei "Edifício": curto, direto e
    a situação dramática exposta!
    Bjs e parabéns!
    Maurício

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  2. Valeu Maurício! E eu havia me esquecido de por seu blog na listinha da Blogosfera, mas já corrigi isso. Passei lá e gostei muito do que vi. Precisa memso divulgas as coisas boas que tem por aí. Bjos! Juliana.

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  3. Ele está chegando em casa à noitinha. Passa pela portaria, cumprimenta educadamente as moças que cuidam de quem entra e sai, passa a porta de vidro que separa o hall de entrada do corredor do prédio, vai olhar a piscina para ver se está coberta ou não com uma lona azul que nunca entendeu porque está ali enquanto o dia não termina. Até que chega ao apartamento, abre a porta, está tudo limpo, arrumado. É só colocar o calção ou a sunga, pegar a toalha e atirar-se na água azul e relaxar.
    Não há ninguém na piscina, é dia de semana, nem crianças, nem babás, nem aqueles que ficam em redor das mesas conversando fiado e tomando um trago sem saber porque, apenas passando o tempo.
    Não há pressa, o dia já se vai, a noite começa, não há mais nada a fazer, a água está morna, fez sol durante o dia e as primeiras estrelas começam a tilintar o céu sem nuvens.
    É o perfeito momento de quem quer relaxar, esquecer o mundo, dar de costas para todas aquelas reuniões chatas que infestam a vida enquanto o tempo passa devagar, quase parando.
    Fica pensando nas coisas, no que podia ter feito, no que afinal o atravanca, se é alguma porteira fechada, se é algum amor mal resolvido, algum destempero de outros tempos e paragens.
    O melhor mesmo é aproveitar o que resta de forças para nadar e fazer alguns exercícios necessários e indispensáveis, para depois recolher-se, tomar um chimarrão tranqüilo, talvez um gole de cachaça para acalmar os nervos e ir dormir sozinho o sonho dos justos.
    Nada mais a fazer. Nada mais a pensar. Sem sonhos, sem sobressaltos, sem estrepolias.

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