Enfim hoje entrei no Shopping Iguatemi de São Paulo. Outras grandes cidades do Brasil tem um shopping iguatemi, mas o de São Paulo parece ser o mais chique de todos. Entre todos os shoppings de São Paulo, é ainda um dos mais caros.
Já tem uns bons cinco anos que vivo em São Paulo, mas eu nunca tinha tido um motivo para entrar no Iguatemi. Além disso, sabia que era muito caro, entao, na verdade, sempre evitei. Eis que neste Natal, lá era o único lugar que tinha o presente que eu queria comprar para o meu namorado.
Até que nao doeu tanto financeiramente. O presente custou menos do que na internet (nao posso dizer o que é, pois nem ele sabe ainda...) O que eu nao entendi é qual é a daquele shopping.
Não vi conforto ali. Um estacionamento péssimo, estreito, com rampas em curvas inacreditáveis, sem falar no congetionamento: mais de 20 minutos para conseguir estacionar. Claro, tinha um estacionamento VIP, com manobrista, aqueles que aceleram seu carro em pequenos espaços... e cobram muito caro por isso.
O que mais tem ali de chique? As pessoas? Sim, algumas pareciam ter saltado de uma "Caras", mas a maioria tinha cara de cansada de tanto trabalhar - gente de escritório.
Comida? Sim, tinha bons restaurantes, e eu acabei jantando no self-service básico de qualquer shopping de rico: o Viena. Um buffet simples, sem muita complicação, no qual você tem qiue ficar numa fila e pagar sua comida antes de comê-la. Claro que com a fila, você come comida fria. Pela bagatela de 37,90 o quilograma. Em Santa Cecília, por 23 reais o quilo come-se quentinho, e melhor.
Lojas com frases em inglês, decoração de Natal que lembra inverno, em pleno verão, e em vários lugares a palavra chave: "exclusivo". O que mais se vende neste shopping é exclusividade: viagens exclusivas, roupas exclusivas, grifes... Tudo isto para ser "incluído" na ala das pessoas chiques, "exclusivas". Ih, ficou confuso...
Valeu o passeio. Está "incluído" no pacote "São Paulo".
Para ser franca, achei tudo isso meio brega. Vi muito luxo, muita luz, mas, salvo a decoração do Conjunto Nacional (feita inteira com garafas pets recortadas), não vi ainda em São Paulo alguma decoração de Natal que valesse a pena ficar olhando... As luzes do Natal... são mesmo só lâmpadas...
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
O tal do Shopping Iguatemi
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Acabando...
Está mesmo acabando o ano. Nesta semana, ao receber o quarto presente de Natal no meu trabalho, me dei conta disso. E a sensação que fica é a de interrupção: oras, o ano já está acabando e eu tenho tanta coisa ainda por começar...
Pessoalmente, não posso reclamar deste ano, tive muitos ganhos. No entanto, mal começa o mês de novembro vivo uma perda exatamente daquilo que ganhei. Para encurtar, acho que levei uma rasteira deste mundo flexível...não dá para se acostumar com situações confortáveis, que logo alguma reviravolta pode acontecer.
Este fato da vida moderna líquida, como os baumanianos gostam de dizer, nos leva a ter que adotar posturas diante da vida, do tipo: não investir muito em nada e nem em ninguém, já que nada é garantido; viver o momento sem pensar muito em consequencias, pois elas são futuras, e o futuro é cada vez mais incerto...,ou contrariar tudo isso e investir nas pessoas que amamos, no trabalho que nos dá satisfação, sem garantias de "retorno" futuro...
Esta última alternativa, meio sem lógica, aparentemente inconsequente, é a que e escolhi para viver. Planejei muitas coisas para 2009, e algumas delas, as mais importantes, consegui realizar. Outras foram replanejadas.. e coisas que eu nunca imaginei que eu fosse capaz de fazer, fiz. Os arrependimentos deste ano foram por coisas que fiz.
Em 2010 vou de novo lançar meu barco ao mar. Se vierem tempestadades, eu nado, até ver o sol brilhar em mim.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Lama
Hoje foi dia de muita água. Choveu demais, disse o prefeito de São Paulo diante das perdas causadas pelos alagamentos. "Invadiram-me demais", acho que diria a Natureza, diante de tanto aterramento de área de rios.
Mas enquanto em São Paulo aparece a lama da Natureza, em Brasília vemos a lama dos homens, sim, com h minúsculo. Não é o primeira vez que a corrupção é mostradas em imagens tão nítidas na televisão. Na verdade, já vimos isso tantas vezes que a desilusão visita o desânimo em falar, agir... É, um poeta, então, que escreve o melhor comentário que li até agora sobre isso. Aí vai um tapa do Sérgio Vaz, para ver se a gente acorda...
Os Miseráveis
Vítor nasceu
No Jardim das Margaridas.
Erva daninha
Nunca teve primavera.
Cresceu sem pai
Sem mãe
Sem norte
Sem seta.
Pés no chão
Nunca teve bicicleta.
Hugo não nasceu, estreou
Pele branquinha
Nunca teve inverno.
Tinha pai
Tinha mãe
Caderno
E fada madrinha.
Vítor virou ladrão
Hugo salafrário
Um roubava pro pão
O outro pra reforçar o salário.
Um usava capuz
O outro, gravata.
Um roubava na luz
O outro, em noite de serenata.
Um vivia de cativeiro
O outro, de negócio
Um não tinha amigo, parceiro
O outro, tinha sócio.
Retrato falado
Vítor tinha a cara na notícia,
Enquanto Hugo
Fazia pose pra revista.
O da pólvora
Apodrece penitente.
O da caneta
Enriquece impunemente.
A um só resta virar crente
O outro, é candidato a presidente.
Sérgio Vaz
É isso. Viva a lucidez dos poetas.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Vício do comum
Para nao perder o ritmo do blog,vou tentar postar hoje.... vamos ver onde o teclado e meus dedos me levarão...
Na verdade a novidade é que hoje tive uma noite bem comum, como nao acontecia já há algum tempo, de forma que eu estava em casa na hora da novela, este ritual de quase 93 milhoes de brasileiros. Então eu pensei que nao queria ver novela porque sabia o perigo que era amanhã, eu querer ver o próximo capítulo. Mas, desafiando-me, vi. Afinal, não seria uma cena, ou duas, ou três... que iriam me viciar... não é?
Vi uma cena muito bem feita por duas atrizes que realmente me convenceram. A cena era triste: uma só chorava cheia de culpa e pedia perdão, a outra deu-lha uma bofetada como resposta. Tristeza, humilhação, culpa... eu hein! Zap! Mudei de canal!
Olhei a novela bobinha da outra rede de tv, a novela engraçadinha do outro canal, seriados norte-americanos em outros... ah, deixa eu ver agora como está a novela... sim, havia uma outra cena melhor, que tinha relação com anterior; eu podia entender... continuei assistindo... Ih! Outra cena pesada! Este Manoel Carlos nao dá descanso! Mudei de canal de novo... Mas nao importa, eu já sei de tudo, já compartilhei do sentimento dos personagens, já me coloquei no lugar deles - tive pena da mocinha, raiva da vilã, julguei o macho da vez. A magia já estava feita em mim.
Por que é tão fácil ser seduzida por uma história? Por que eu nao desligo a tv e me deixo seduzir pela história de um livro? Será que ajudam as imagens perfeitas, prontas, da tv? Talvez. Espero nao estar em casa amanhã no horário para saber... ; )
domingo, 1 de novembro de 2009
Sentir e pensar
O que será que vem primeiro, sentimentos ou pensamentos? Pensamos por causa de um sentimento, ou um pensamento nos leva a um sentimento?
Pensamentos sao coisas puramente racionais, diriam alguns. Posso raciocinar, fazer cálculos, desenvolver soluções. Ok. Aceito isso. Mas na nossa vida, quando raciocinamos para fazer escolhas, não há sentimentos envolvidos?
Para mim, o melhor lugar para discutir idéias, onde nao temos lá muito compromisso com correntes teóricas, conceitos e pré-conceitos, e falamos com base mais em nossas experiências do que com base em nossas leituras é o boteco. Por isso, papo de boteco é coisa que gosto muito, e de lá já tirei idéias muito interessantes que já se transformaram em trabalho (para quem não sabe, sou uma pesquisadora - meu trabalho é pensar). Tudo isto para dizer que boa parte do que escrevo aqui eu diria num boteco. Não o faço porque lá nao tenho o prazer de escrever, como tenho aqui. Vamos, então, considerar que isto é uma escrita de boteco!
Pois bem, voltemos ao papo do sentir/pensar. Ouço muito no boteco essa história de que "fulano muito racional"; ja disseram que eu mesma era muito racional. E o que é ser racional?, pergunto. É basear suas decisões em raciocínios, e nao em sentimentos ou instintos? É "não se deixar levar"...
Engraçado. Quando conheci uma das pessoas que mais poderiam perfeitamente serem enquadradas no rótulo "racional", disse a ela que, sendo eu uma destas pessoas também "racionais", poderíamos também ser enquadradas como "medrosas", ou "ansiosas", ou "controladoras" ou qualquer outro adjetivo que sirva para designar pessoas que precisam prever o que vai acontecer. Raciocinar, "no final das contas" é calcular. Avaliar possibilidades, montar cenários... tentar prever uma situação, descobrir uma tendência, e "por aí vai..." (expressao de boteco).
Entao eu, como uma pessoa que precisa estar segura das consequências, penso muito antes de agir. Procuro pensar até mesmo em como os outros vão agir, para poder controlar ao máximo consequências e situações. Qual o meu adjetivo? Controladora? Sim. Por quê? Porque tenho medo do que não conheço. Medrosa, então. Ansiosa também.
Acreditem, foi assim que ganhei a primeira discussão de muitas outras que tive com esta pessoa tão "racional", e que também comporta todos os outros adjetivos compatíveis... Mas não adiantou nada calcular, prever, avaliar, pensar... pois tudo isso eu fiz com quem eu gostaria, muito honestamente e sem medo, somente sentir...



