domingo, 1 de novembro de 2009

Sentir e pensar

O que será que vem primeiro, sentimentos ou pensamentos? Pensamos por causa de um sentimento, ou um pensamento nos leva a um sentimento?

Pensamentos sao coisas puramente racionais, diriam alguns. Posso raciocinar, fazer cálculos, desenvolver soluções. Ok. Aceito isso. Mas na nossa vida, quando raciocinamos para fazer escolhas, não há sentimentos envolvidos?

Para mim, o melhor lugar para discutir idéias, onde nao temos lá muito compromisso com correntes teóricas, conceitos e pré-conceitos, e falamos com base mais em nossas experiências do que com base em nossas leituras é o boteco. Por isso, papo de boteco é coisa que gosto muito, e de lá já tirei idéias muito interessantes que já se transformaram em trabalho (para quem não sabe, sou uma pesquisadora - meu trabalho é pensar). Tudo isto para dizer que boa parte do que escrevo aqui eu diria num boteco. Não o faço porque lá nao tenho o prazer de escrever, como tenho aqui. Vamos, então, considerar que isto é uma escrita de boteco!

Pois bem, voltemos ao papo do sentir/pensar. Ouço muito no boteco essa história de que "fulano muito racional"; ja disseram que eu mesma era muito racional. E o que é ser racional?, pergunto. É basear suas decisões em raciocínios, e nao em sentimentos ou instintos? É "não se deixar levar"...

Engraçado. Quando conheci uma das pessoas que mais poderiam perfeitamente serem enquadradas no rótulo "racional", disse a ela que, sendo eu uma destas pessoas também "racionais", poderíamos também ser enquadradas como "medrosas", ou "ansiosas", ou "controladoras" ou qualquer outro adjetivo que sirva para designar pessoas que precisam prever o que vai acontecer. Raciocinar, "no final das contas" é calcular. Avaliar possibilidades, montar cenários... tentar prever uma situação, descobrir uma tendência, e "por aí vai..." (expressao de boteco).

Entao eu, como uma pessoa que precisa estar segura das consequências, penso muito antes de agir. Procuro pensar até mesmo em como os outros vão agir, para poder controlar ao máximo consequências e situações. Qual o meu adjetivo? Controladora? Sim. Por quê? Porque tenho medo do que não conheço. Medrosa, então. Ansiosa também.

Acreditem, foi assim que ganhei a primeira discussão de muitas outras que tive com esta pessoa tão "racional", e que também comporta todos os outros adjetivos compatíveis... Mas não adiantou nada calcular, prever, avaliar, pensar... pois tudo isso eu fiz com quem eu gostaria, muito honestamente e sem medo,  somente sentir...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

28 anos

Faz um dia que eu completei 28 voltas em torno do Sol, e sabe que me sinto com mais energia do que antes, quando era mais jovem?
Isto me faz pensar (para variar) porque associamos envelhecer com perder energias...
Quanto mais tempo temos neste mundo, maior a nossa responsabilidade sobre nossos atos, pois adquirimos mais liberdade de controlar nossas atitudes... embora esta liberdade venha acompanhada de mais obrigações. Oras, se temos condições de cumpri-las é porque nossa força cresce!
Tanta gente fala por aí que quer ser livre... mas será que sabem o que estão dizendo? Ser livre significa ser o principal responsável por si mesmo e seus atos.
Tenho sentido isto ao longo dos anos, e tenho gostado. Sempre busquei poder fazer escolhas... mas o ironico, é que quanto mais possibilidades abro, mais trabalho tenho pra escolher, e mais responsável sou por minhas escolhas.
Claro que em tudo nesta vida a gente a nossa parte é sempre metade; sempre dependemos de respostas, de oportunidades, solidariedade, para realizar alguma coisa... Mas nem por isso a nossas ações sao menos importantes: sendo metade, são fundamentais...
Sim, está tarde e eu estou aqui jogando "escritos" fora... 28 dias completam ciclos todos os meses em mim... acho que 28 voltas em torno do Sol querem dizer alguma coisa também...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A Grande Saúde

Hoje foi um dia de falar de Saúde. Assisti ao evento Diálogos Jurídicos - Saude Mental e Trabalho: Direitos e Desafios, que ocorre até 30 de setembro no TRT 2a Regiao e esta sendo organizado pela Fundacentro e Associaçao Nacional dos Magistrados do Trabalho.

Tive o privilégio de poder levar ao evento uma das palestrantes, a Profa. Dra Tania Franco, médica, economista e socióloga da UFBA. Ela foi falar do nosso mundo do trabalho, do seu potencial adoecedor e do que podemos fazer sobre isso. Para mim, além de ter tido uma grande aula com a sua palestra, tive aula de bom humor e paciencia, ou seja, de saúde!

Para chegar ao TRT da Barra Funda eu, com ela no carro, errei quase todos os caminhos possíveis! Eu havia me oferecido para levá-la achando que seria fácil e agradável tarefa, já que ela é uma pessoa maravilhosa de se conversar, mas na verdade a conversa foi tao boa que eu esqueci do caminho e morri de vergonha pelos sustos que a fiz passar. Consegui errar o caminho até mesmo dentro do estacionamento do TRT !!!! Mas chegamos, enfim. Atrasadas, mas chegamos.

Demorei ainda uns 15 minutos para me acalmar e esquecer o vexame, mas ela nao me parecia compartilhar de nenhuma destas sensações. Ao contrário, ficou calma todo o tempo.

E no final da manhã, eu, que já tinha ficado admirada com os dois minutos de aplausos de uma plateia de 400 pessoas, aprendi uma lição quando, indo embora, ela veio me dizer: "Obrigada por tudo! Tudo de bom para você! Foi muito divertido!".

Faz diferença ser lúcido do mundo em que vivemos, como ela é. Ela explicou que está havendo uma "perda da razão social do trabalho", ou seja, que o trabalho nao está servindo mais para construir vida, mas para deteriorar o conjunto social. Esta pode ser uma avaliação pessimista, exagerada, apocalíptica, alguns advogados diriam - com a minha discordancia. Mas ela vem de, e gera, atitudes otimistas e benéficas para com o mundo, e eu pude entender isto de perto hoje de manhã.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Amizade...

Amizade nao deixa de ser uma forma de amor. É um sentimento que hoje eu quero escrever por aqui.

Sempre valorizei muito os amigos em minha vida. Eu poderia dizer que são como uma espécie de familia que a gente escolhe, como diz o ditado. Mas isso nao seria justo talvez com a propria ideia de 'amigo'. Será mesmo possível congregar todos os amigos numa família, uma rede na qual todos estariam conectados sem a necessidade do vínculo com você como referência?

De um jeito ou de outro, acho que comigo isto é uma tendência. Há muito tempo que tenho a prática de apresentar amigos uns aos outros. Algumas vezes, criaram-se "verdadeiras" amizades entre estas pessoas, nas quais eu deixei de ser a referencia do vínculo. Eu gosto muito quando isso acontece. É ótimo compartilhar o que tenho de melhor com aqueles que amo: mais amigos!

Ultimamente, no entanto, tenho visto que pode ser complicado levar esta idéia de conectar as pessoas legais que eu conheço. Pode ser egocêntrico: oras, quando se faz uma amizade com alguém, nem sempre se está interessado em conhecer "a família" desta pessoa, mesmo sendo uma família de amigos.

E como toda relação de amor, tenho descoberto que até em mim, que sempre pensou na experiencia da verdadeira amizade como uma das experiencias mais importantes da vida, a amizade tem seus altos e baixos. Hoje me surpreendo ao perceber que tenho dado pouca atenção aos amigos. Nao tenho feito o trabalho habitual de ligar para alguns deles; nao me esforço em aceitar convites nem faço outros. Mas a distancia em mim vira saudades, e digo isso a eles quando tenho a oportunidade. Saudade é outro sentimento bom de escrever, porque nem sempre resulta num ato. Como no meu caso: muito trabalho, tarefas complicadas a desenvolver, namoro novo, novas relações... o trabalho de cuidar das velhas amizades...fica para depois.

Isto me preocupa. Novamente, "como em toda relaçao de amor", a amizade precisa de cuidados, de trabalho. Mas o que nos dá a energia para este trabalho? Quando a saudade apertar eu vou saber...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Duda

O Blogger acabou de me aprontar mais uma: digitei um post inteirinho e na hora de enviar, "deu pau" e o texto sumiu. Ah, mas justo hoje que eu venci a minha preguiça de escrever? Só de birra, estou postando isto daqui, para deixar alguma pegada... algum escrito sentido...

O que eu queria falar mesmo era sobre o meu cachorro. Ele morreu há 20 dias... eu quis muito escrever neste dia, mas nao deu tempo... e depois, o sentimento já nao era o mesmo.

Eu fiquei pensando se cachorro podia ir pro céu. Porque eu tive, e tenho, uma vontade enorme de rezar por ele. Agradecê-lo por toda a ternura e resistencia que eu aprendi com ele, que resistiu a um cancer e tinha problemas de coração.

No post que se apagou, eu comparava os cuidados e refinamentos dedicados aos cachorros de Higienópolis, ao abandono das pessoas nas ruas de Santa Cecilia. Mais proxima de qual lado estarei?

Seja como for, quero escrever aqui o meu amor por um cachorro. Repetir, como tantos outros "donos", que o meu cachorro Duda era especial, e desejar que ele descanse em paz.